Nosso Deus tem coração!

Na sexta-feira da semana posterior à Solenidade de Corpus Christi a Igreja Católica celebra o Sagrado Coração de Jesus. Esta data é muito cara e significativa para os católicos pois focaliza a dimensão que dá identidade ao Deus revelado por Jesus Cristo que é o amor.

Se pudéssemos resumir o jeito de ser e de agir de Deus numa expressão única e ao alcance da compreensão de todos, deveríamos dizer: “Nosso Deus tem coração”, pois é assim que falamos quando queremos dizer que uma pessoa é bondosa, fraterna e capaz de gestos nobres.

Sabiamente a Igreja escolheu a imagem do Coração de Jesus para ajudar seus fieis a compreenderem o modo singular de Deus ser e se relacionar com a humanidade. Isto fundamenta-se na Sagrada Escritura, especialmente quando Jesus convida seus ouvintes a aprender dele, manso e humilde de coração (Mt 11, 29) e, principalmente, quando seu coração traspassado pela lança do soldado expressa um amor sem reservas (cf. Jo 19,34).

Afirmar que Deus tem coração é professar a fé na divindade cuja compreensão distancia-se infinitamente daquela obtida pelos filósofos e até por muitas religiões, identificada apenas com poder, sabedoria e força ameaçadora aos seres humanos.

Já no Antigo Testamento encontra-se a compreensão de um Deus bondoso, que ouve o clamor de seu povo (cf. Ex 3, 7), cuja misericórdia se estende por mil gerações (cf. Ex 20,5-6) e que se ocupa do ser humano com cuidados maternos (cf. Is 66,13). Entretanto, essa verdade é entremeada pela afirmação humana de um Deus justiceiro, que se coloca ao lado de uns em desfavor de outros e que por vezes manifesta sua ira.

Os evangelhos, que inauguram o Novo Testamento, apresentam Jesus Cristo, Deus e homem, ao lado dos pobres, dos pecadores e dos doentes, não deixando dúvidas de que em Deus, o que fala mais alto é o amor, conforme Jo 3,16: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”.

A compreensão da divindade mudou não só porque o ser humano cresceu em sua capacidade de entender as realidades superiores, mas, sobretudo, porque o próprio Deus deu-se a conhecer de maneira mais clara e real. E foi assim porque é próprio do amor revelar-se a quem é amado, encurtando distâncias, facilitando o entendimento, dando sinais do que é, do que quer e do que pode oferecer.

A pessoa, as palavras, os gestos inéditos e as atitudes ousadas de Jesus Cristo deram-nos a entender, definitivamente, que nosso Deus tem coração.

Portanto, a Solenidade do Coração de Jesus apresenta-se a todos como oportunidade de avanço na compreensão de Deus e de desfazer-se de toda visão equivocada que faça ter medo de d’Ele ou viver indiferentes ao que Ele oferece.

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